Escolha abaixo quais brincadeiras audiovisuais serão úteis para a criação de novos mundos no contexto infantojuvenil no qual estão inseridos. O objetivo é transformar o audiovisual, o cinema, as imagens em movimento em dispositivos para construção de identidades nas infâncias a partir da língua do brincar.

CORPO-MENTE-CÂMERA

Descrição: Imagina se nosso corpo e mente fosse representada por uma câmera. Qual parte você seria? Lente, Zoom, Flash, Foco, Estabilizador, Microfone, Bateria, Visor, Disparador, Cartão de Memória, Botão Liga/Desliga, Diafragma, Sensor? Escolha uma parte da câmera que represente você e junte com outras pessoas para montar uma escultura humana selecionando uma paisagem para tirarem uma foto. Não esqueça de todos sorrirem e cantarem juntos “Click”.

Habilidades trabalhadas: Consciência Corporal; Conhecimento Tecnológico.

Recursos necessário: Use o corpo e a imaginação. O brincante pode mostrar uma câmera para facilitar a visualização, explicando de forma mais abrangente para o que serve cada parte da câmera.


CLAQUETO-CÂMERA IMAGINÁRIA

Descrição: Construa sua própria Claqueto-Câmera Imaginária, um brinquedo audiovisual capaz de fotografar sua imaginação e filmar fora do enquadramento. Captura qualquer coisa invisível ao olho nu e basta utilizar um material de sua escolha, de preferência resíduos sólidos reaproveitados como caixas de papelão, pedaços de madeiras e outros objetos e construa sua própria câmera.

Habilidades trabalhadas: Invenção; Imaginação; Construção de Brinquedos Recicláveis.

Recursos necessário: Materiais recicláveis.


LUZ, CÂMERA, EMOÇÃO

Descrição: Utilize uma claquete para brincar de expressar suas emoções. O grupo se move dançando pelo local e quando a música congela, o personagem com a Claquete irá dizer “Luz, Câmera, Emoção” e fazer uma expressão facial com um tipo de emoção para que os outros tentem adivinhar. Vale mímica também. Quem acerta parte para a próxima etapa de também congelar suas emoções e assim continua a brincadeira até todos participarem.

Habilidades trabalhadas: Consciência Socioemocional; Movimento.

Recursos necessário: Um som que possa ser pausada; Uma claquete.


OIAPROCÊVÊ

Descrição: Consiste em uma brincadeira para cantar e dançar em roda. Uma cantiga de rodas que trabalha os aspectos da linguagem audiovisuais através de uma trilha sonora para brincar coletivamente. Cante a letra abaixo, acompanhada ou não de um instrumento musical e trabalhe o ritmo do corpo para se divertir.

Oiaprocêvê
Oiaprocêvê
menino e menina
que quer corrê
 
[coreografia: mão nos olhos e bate 2 palmas]
 
Em câmera lenta, eles vão corrê
Em câmera lenta, eles vão corrê
Agachadinho, eles vão corrê
Lá no altinho, eles vão corrê
De volta na roda todos vão Congelar
 
[coreografia: corre em câmera lenta]
 
Quem tava na luz atuô,
os otrôs filmô e
no cinema passô!
[coreografia: Os atores estufam o peito, os câmeras filmam
e outros sentam de plateia no chão
 
Vêm pra roda!
 
[Notas musicais: Ré e Lá]
 

Habilidades trabalhadas: Ritmo; Canto; Sensibilidade Musical; Movimento.

Recursos necessário: Um instrumento musical e seu próprio canto. Pode ser usado um som para projetar o som da canção pré-gravada.


VISUALITAÇÃO 

[Visualização Criativa com Meditação Guiada]

VISUALITAÇÃO DAS ESTRELAS

Olá, Eu Sou a “Luz”.
Vamos brincar de fazer
um filme de olhos fechados?

Sente-se de pernas cruzadas,
deixe a coluna ereta e entrelace
as mãos confortavelmente.

Iremos praticar uma “Visualitação”,
que é uma Visualização Criativa
com Meditação Guiada.

Antes de começar,
vamos respirar juntos?
Inspire. Expire. (Pausa)
Inspire. Expire. (Pausa)

Imagine que você é uma estrela.
De várias formas.
Várias cores.
Iluminada.

Que movimenta pelos mundos.
Pelos planetas do sistema solar.
Que voa até o infinito.

Seus pensamentos estão voando
para todos os lados, agitados.

Encontre um lugar no espaço
e não tenha pressa.
Ao inspirar, sua velocidade acalma.
Ao expirar, seu tamanho cresce.

Acalme-se. Sinta um alívio.
Foque sua atenção na respiração.

Deixe que as estrelas cadentes
passem ao seu lado.
Ouça o som que elas emitem.
Concentre-se nesse som.
(Pausa)

De repente, todas as estrelas
começam a se apagar.
Você virou um único
pontinho de luz no universo.

Você se vê de um telescópio,
lá no céu e descobre:
EU EXISTO.
(Pausa)

Para finalizar, irei te contar
uma frase que um grande
sábio sussurrou
em meu ouvido:

“Você nunca está só ou sem ajuda.
A força que guia as estrelas,
guia você também”.

Mantenha os olhos fechados,
coloque as mãos em seu coração e
vamos ecoar juntos as vogais do nosso alfabeto:
Áaaa… Éeee… Íiii… Óoo… Úuu…

Abra os olhos, mexa o seu corpo,
e sinta o amor em tudo.

[FIM]

*Dica: Coloque uma música instrumental tranquila e leia com pausas a brincadeira.
Habilidades trabalhadas: Respiração, Concentração, Imaginação e Bem-estar pleno.


MEU PRIMEIRO FILME

 Descrição: Esta brincadeira audiovisual serve como uma guia prático para filmar com crianças seguindo algumas dicas que irão te ensinar a planejar uma filmagem da pré-produção à pós-produção. Afinal, filmar com crianças acaba virando uma grande brincadeira de fazer filme.

Dica 1: Vá de encontro à luz

Quanto mais luz, maior será a definição e qualidade da imagem captada. Isso significa, basicamente, que é importante escolher um enquadramento que valorize o máximo possível a absorção de luz pela lente da câmera. Dias ensolarados, ambientes internos com o máximo de luz artificial e externa possível, etc. É sempre bom, também, evitar o famoso “contraluz”, que é basicamente o posicionamento da câmera em conflito com a direção do sol. Quando queremos filmar de frente um personagem ou objeto que se encontra na direção exata dos raios de sol, geralmente acontece o contraluz, pois automaticamente, a câmera regula a exposição, escurecendo toda a captação e deixando o personagem filmado nas sombras. Em alguns casos, porém, o contraluz pode ser utilizado como recurso estilístico, e pode render quadros belíssimos.

Dica 2: Cuidado com os movimentos de câmera

Geralmente, os dispositivos móveis permitem uma liberdade de movimentação muito atrativa, o que nos impele a sair gravando com a câmera na mão. No entanto, vários dos celulares e câmeras fotográficas disponíveis hoje no mercado não possuem ainda estabilizadores devidamente eficientes e, em muitos casos, a gravação pode ficar muito instável e tremida. Como a câmera na mão é um recurso de extrema potencialidade artística, sobretudo em documentários, é óbvio que não recomendamos abandoná-lo, mas é bom prestar atenção numa fixação eficiente da câmera nas mãos, ou até mesmo construir suportes alternativos para minimizar as “tremidas”. Hoje em dia existem tripés e suportes de mão para câmeras móveis, mas a criatividade pode sugerir soluções esteticamente únicas.

Dica 3: “Ouça” melhor o seu vídeo

Audiovisual é, como todos sabem, 50% imagem, 50% som. A divisão é realmente, meio a meio, se levarmos em consideração os aspectos expressivos dos diálogos, depoimentos, sons ambientes e trilhas. É comum também, por não sabermos onde o microfone fica, o abafarmos com as mãos, às vezes prejudicando irremediavelmente as gravações.  Identifique onde fica o microfone do seu celular/câmera digital e tome cuidado para não segurar o aparelho bem onde fica o microfone.

Outra dica interessante é, se possível, desvincular a gravação da imagem da do som, utilizando dois dispositivos móveis diferentes para cada finalidade. Enquanto uma câmera grava a imagem, utilizando o enquadramento ideal esteticamente, outra câmera capta o som, direcionando o microfone do aparelho para o depoente, ou ator, no caso de uma ficção. Lembre de logo após gravar o som, escutar em um fone de ouvido para ver se não há ruídos na captação.

Dica 4: Se nada disso der certo, use sua criatividade

Todas as dicas acima foram por água abaixo quando você decidiu gravar seu primeiro documentário autoral com uma câmera de celular. Certamente a sua agenda não contribui, ou então, faltou um pouquinho de sorte, afinal, você escolheu o dia errado e tudo saiu exatamente conforme o não-planejado: estava muito nublado, aquele depoimento super importante que você precisava captar teve que ser gravado no hall da rodoviária em pleno horário de pico, sua mão tremeu muito e, ainda por cima, você derrubou o celular na hora de guarda-lo no bolso e ameaçou perder todo o material, porque o “bichinho” insistiu em não querer carregar quando você chegou em casa, ansioso para descarregar as imagens no computador. Acostume-se! Toda gravação independente, ainda mais utilizando instrumentos não profissionais, é sempre muito atribulada, incerta e cheia de surpresas, boas ou ruins. É possível perder inteiramente um material bruto por causa de um “bug” qualquer no seu computador, assim como é fácil sair para uma gravação sem nenhum tipo de planejamento e voltar cheio de imagens épicas, captadas na hora certa e da melhor forma possível. Essa imprevisibilidade é, por incrível que pareça, uma das coisas mais ricas e estimulantes da produção audiovisual independente. Quando aprendemos a fazer “na raça”, com poucos recursos e baseado quase que exclusivamente em uma boa ideia, a probabilidade de fazermos um trabalho interessante é imensa. Com muito esforço e experiência, aprendemos a contornar os obstáculos e transformar muitas das restrições em soluções criativas.

E aí você pergunta: “Ok, deu tudo errado … e agora?”. Como dizemos acima, criatividade e jogo de cintura são a grande saída para contornar os imprevistos, e certas soluções realmente só surgem após algumas experiências. É preciso ter em mente, no entanto, que às vezes os erros e “acidentes” das gravações podem ser tão grosseiros que se torna impossível “salvar” o conteúdo. Outras vezes, é possível, com um pouquinho de esforço e conhecimento técnico, reverter algumas situações no momento da edição. É importante dizer que, ao desbravar os softwares de edição, descobrem-se efeitos, filtros e pequenos “truques” que podem minimizar os “danos” de uma gravação insatisfatória. Além disso, é sempre bom recorrer a recursos estéticos básicos, como a inserção de trilhas para mascarar sons ambientes muito ruidosos, efeitos de aceleração da imagem, ou de câmera lenta, etc. O mais importante desta “lição”, no entanto, é estarmos sempre abertos para a experimentação e para o erro, mesmo quando seguimos à risca as dicas apresentadas.

Dica 5: Edição básica

A edição de um filme ou programa de vídeo é o ponto principal sobre o qual trabalha softwares como por exemplo o Adobe Premiere (profissional), Kadenlive (software livre) e Windows Movie Maker (que não maioria das vezes já vem instalado em computadores com Windows). Estes programas nos facilitam o recorte de arquivos de vídeo (clips). Logo se pode ajuntar o trabalho final, já polido, para sua reprodução numa ampla quantidade de meios.

Transições: Além de que o corte seja a forma mais comum e simples de combinar os clips de vídeo, temos inúmeras opções para modificar a mudança de um a outro. Estas transições podem proporcionar texturas, matizes e efeitos especiais.

Áudio: Consideramos uso de trilhas sonoras de sua autoria, livres ou adquiridas comercialmente e também o tratamento do som na edição o volume do som, efeitos de som e inclusive os silêncios usados de maneira incidental, elementos que colocados de maneira correta aumenta o impacto ou a tensão do filme. Na edição não linear, contamos com numerosas facilidades para a incorporação de áudio adicional.

Criação de títulos: É importante dar-lhe uma consideração adequada ao uso de títulos. Os textos usados nos títulos de apresentação e seus movimentos e/ou localização dentro da tela, precisam guardar certa relação com o tema do filme; assim não é recomendável a utilização de movimentos decorativos ou letras muito coloridas no caso de um filme dramático, para situar um exemplo. No editor de vídeo não linear podemos criar textos e gráficos que podemos importar e sobrepor em clipes já existentes. Os títulos são importantes também para a criação das vinhetas de abertura e fechamento do vídeo. Aplicação de efeitos e filtros de áudio e vídeo: Temos a nossa disposição uma ampla variedade de filtros de áudio e vídeo que podemos usar para resolver problemas ou dar um matiz diferente potencializando nosso filme.

Difusão: Momento que irá pensar as estratégias para veiculação do seu vídeo nas redes sociais da internet e/ou a melhor forma desse vídeo chegar no público-alvo que vocês gostariam de atingir com a ideia como sua comunidade, bairro ou escola.

Celebração: Momento de compartilhar as experiências geradas na oficina e organizar uma sessão pública do vídeo produzido durante a oficina.

Dica 6: Checklist de Produção

(    ) Desenvolvimento | Foi identificado a motivação do grupo?
(    ) Desenvolvimento | O tema para o vídeo ganhou um recorte para se tornar mais objetivo?
(    ) Desenvolvimento | Qual Gênero, Subgênero e Estilo o vídeo propõe?
(    ) Desenvolvimento | O Roteiro já está pronto?
(    ) Pré-Produção | Como será organizado a equipe de filmagem?
(    ) Pré-Produção | Qual o local ou cenário de filmagem?
(    ) Pré-Produção | Calculou quanto tempo irá levar as filmagens?
(   ) Pré-Produção | A Produção providenciou as devidas autorizações de filmagem? A equipe da Arte providenciou os objetos, figurino e outros detalhes?

(   ) Produção | Preparou o Kit de Filmagem (Câmera, Cartões de Memória, Carregadores, Pen Drive, Tripé ou estabilizador pra câmera). Checou a iluminação do local?
(    ) Produção |  A equipe está bem organizada? (Diretor, Câmera, Produção, Arte, Som)
(    ) Produção | Todos os arquivos filmados estão sendo descarregados em Backup em um computador e HD Externo (ou pendrive)?

(   ) Pós-produção | Você já fez o mapeamento das melhores imagens? Todos os arquivos estão  organizados em pastas no computador?
(   ) Pós-produção | Vai precisar de algum conversor de imagem livre como o Mpegstreamclipe para converter os vídeos?
(   ) Pós-produção | Definiu como será o som do filme, trilha sonora livre ou música autoral, tratamento das imagens e efeitos?

( ) Difusão | Onde será a exibição público dos vídeos produzidos em seu espaço de aprendizagem? Vocês possuem infra-estrutura básica para projeção como projetores multimídia, tela ou parede branca e caixa de som?

(   ) Celebração | Como irão compartilhar as experiências geradas na oficina?

Habilidades trabalhadas: Linguagem Audiovisual; Trabalho em equipe; Produção de Filmes.

Recursos necessário: Equipamentos básicos para filmagem como celular, câmera, computador, claquete, tripé e outros.