Por Igor Amin

Irei relatar em uma perspectiva etnográfica e autobiográfica um diário de bordo das experiências que tive como Educador Audiovisual desde quando idealizei o projeto “O que queremos para o mundo?”. Tive felizes oportunidades de viajar pelos interiores do Brasil e a outros países espalhados pelos quatro cantos do mundo como Angola, África do Sul, Índia, Bélgica, Portugal, Holanda, Suécia, Chile entre os anos de 2007 e 2017. Serão registros em textos e vídeos de uma década de mediações através do audiovisual junto às infâncias. A partir da memória oral e registros videográficos irei rever pontos que afirmam a construção de identidades e possibilitam a descolonização dos olhares sobre a infância onde o esforço estava na inversão ou deslocamento de escuta na “descravisão” das relações sociais. A partir dos estudos culturais das infâncias e sua diversidade, iremos trabalhar a hipótese da “Luzcamerização do Olhar”, definição poética da importância da educação dos nossos olhares. Embasado por pensadores e pensadoras que trazem a cultura da infância a tona e possibilitam a identificação dos atos performáticos e encenações do brincar, exemplos práticos surgirão apontando o audiovisual como uma grande brincadeira de expressão de quem somos e como procedo no mundo, despertando a auto-percepção e a inter-subjetividade dos agentes envolvidos no processos que envolvem a relação entre tecnologias audiovisuais.

O primeiro “vídeo-relato” será o de uma viagem realizada em 2017, onde fomos celebrar o “Dia da Criança Africana” à convite da Embaixada do Brasil em Angola e Centro Cultural Brasil-Angola. Foi em Luanda onde conhecemos o grupo de dança das crianças “A Malta da Paz e da Alegria”. A data do 16 de Junho é marcante devido ao Levante de Soweto, marco durante a Apartheid na África do Sul onde crianças lutaram por seus direitos culturais e foram massacradas. O fato despertou no mundo a necessidade dos diretos da infância e adolescência e fomos para África para resgatar esse momento que vai além de uma celebração das crianças, mais uma memória do protagonismo e da ação das crianças como agentes transformadores da sociedade.